Segunda-feira, 12 de Abril de 2010

O ciclo do pão

O ciclo do pão

 

Gostávamos de dar a conhecer alguns dos passos que se seguiam até o nosso sagrado pão chegar á nossa mesa.

Em primeiro lugar faziam o alqueve, que era lavrar a terra, pela primeira vez, terra que estava em bravio que já alguns anos não era semeada ,terra que andava descansada para assim se poder obter uma melhor colheita de trigo

O alqueve fazia-se entre Janeiro e Fevereiro isto se a terra estivesse nas dividas condições de dar lavoura, por motivo de estar encharcada ou por ainda não ter chovido o suficientes para a terra estar passada, serviço  que era feito o mais tarde até Março ,era feito com duas bestas onde se usava uma canga para ajudar a controlar os animais, e havia a lavoura de carramato que era a lavoura feita só com uma besta.

Em seguida faziam o atalho que era o arranjo da terra para se aproveitar o alqueve, e semear as sementeiras de sequeiro tais como grão ,chixaros, melão, melancia e tomateiros.

Em Setembro faziam as queimadas para proteger as terras das sementes daninhas e com a cinza a terra ficava mais adubada.

Nessa altura também era hora de escolher o trigo para a sementeira, tarefa que competia ás mulheres, que era joeirar o trigo, ou seja escolher o trigo para ser semeado, escolhendo o ciseirão o joio,o  balanco  e outras sementes daninhas para não  prejudicar a sementeira.

Agora estava na altura de gradear, com uma alfaia agrícola que se chama uma grade de bicos, para que a terra ficasse sem torrões,  seguidamente a terra era enrregado que  de medir a folha da sementeira, era deixar um espaço de quatro passos entre cada rego um pouco mais fundo que os da lavoura para a sementeira, e assim ficavam a saber quantas mãos de semente levava aquela folha de alqueve. Antes de partirem para o campo ,comiam umas boas migas, em seguida mediam a semente aos alqueires (20Litros ),que era para mais tarde saberem quantas sementes tinha dado aquela sementeira.

E lá iam os homens para o campo com uma bucha para o almoço ,quem tinha condições para isso deixava um presunto para partir no tempo da sementeira, uns figos secos e lá seguiam alegres a cantar trabalhando do nascer uma por do sol ,e quanto regressavam vinham contentes pois tinham feito uma boa jeira nesse dia se o tempo assim o permitisse.

Primeiro jogava a semente à terra e em seguida é que era feita a lavoura.

A sementeira normalmente era feita antes da Feira de Castro

Agora era esperar o tempo, para saber como iria correr a colheita desse ano diz o ditado.

Em Janeiro soube ao outeiro se veres verdejar põe-te a chorar se veres terrejar põe-te a cantar .

Isto era um dos ditados dos nossos antepassados, que queria dizer que se em Janeiro o trigo já tivesse nascido e muito verde, podia não dar tão boa colheita pois se o tempo não o ajuda-se e lhe falta .se a agua como já estava muito grande podia não resistir as altas temperaturas.

Ao contrario se o bago de trigo se conserva-se na terra até mais tarde, em Janeiro começava a chover e as sementes desenvolviam com mais condições para uma boa colheita.

Entre Março e Abril havia a tarefa da monda onde as pessoas que tinham condições para pagar levavam pessoas para mondar, esse trabalho normalmente era feito por mulheres e lá iam elas cantando para a monda e quando chegavam ao trabalho era-lhe distribuído os lugares pelo manajeiro

Cada qual levava duas de margem ou mais conforme fosse consistência para a tarefa a desempenhar Tarefa que consistia em tirar as ervas daninhas do trigo, para que o trigo desenvolvesse mais rapidamente e a erva não o afoga-se.

Seguidamente vinha a ceifa onde grandes ranchos de pessoas se deslocavam ao campo do nascer ao pró do sol para assim ceifar o trigo.

Eram grupos de homens e mulheres que seguiam atrás uns dos outros tentando não ficar para trás para não atrapalhar o parceiro que vinha atrás e muito menos dar parte de fraco, também aí se utilizavam as margens, que eram distribuídas conforme a astúcia da pessoas, por norma eram sempre três para os homens e duas para as mulheres, conforme iam ceifando iam fazendo mãos-cheias que eram atadas com um mantulho para assim ficarem pressas e seguidamente os homens irem atar formando assim os molhos  eram os homens  quem atavam o trigo e  o punham em bardas, que seguidamente  iria para a eira.

 

 

A eira já tinha sido reparada para que fosse feita a tarefa da debulha que também era uma actividade muito cansativa e muito demorada

Quando se acabava a ceifa, o trigo era carregado para a eira, quem tinha a sorte de ter uma carrinha de bestas, tornava-se mais fácil a tarefa quem não tinha levantava-se de madrugada e ia carregando o trigo com os seus burrinhos, era uma tarefa onde quase sempre ao vizinhos ou familiares se ajudavam mutuamente pois era uma tarefa que não era muito fácil fazer-se sozinho

Os molhos de trigo eram desfeitos e jogados na eira, em seguida com as bestas andavam em cima até que as espigas se desmanchassem e a palha ficasse partida, dando assim origem a que os bagos de trigo se separassem, em seguida a semente era jogada ao vento com uma forquilha e separando assim a palha do trigo era uma tarefa que se fazia repetidamente jogando o trigo ao vento com uma pá ,em seguida  passava para  um joeiro até que o trigo tivesse completamente limpo, e em condições de se medir aos alqueires para saber quantas sementes tinha dado  naquele ano a sementeira,  pois era uma condição conforme iam fazendo a debulha ficavam sabendo quantas sementes tinha dado, esta ou aquela folha de trigo que seguidamente vinha  para o celeiro.

O celeiro já estava limpo e caiado para receber a semente que iria ser o sustento da família durante o ano, pois a ideia que havia era que tínhamos que ter trigo no celeiro até ao fim de Junho para assegurar o pão de dia a dia. lá diz o ditado.

Guarda pão para Maio e lenha para Abril que não sabes o tempo que te há-de vir .

Depois do nosso trigo estar no celeiro agora havia a tarefa de o levar ao moinho de água ou de vento ou a fabrica,  para se trocar por farinha.

Agora vamos falar com a nossa Leonilde para que ela nos diga como e que se tratava do pão.

 Diz-nos a nossa amiga que quando casou com o marido começou a ser padeira, porque a família do marido já se dedicavam a essa tarefa, na qual ela desempenhou as suas funções durante vinte e três anos.

Começou por nos contar como passou esses anos da sua vida.

As pessoas passavam pelo forno para marcar se podiam amassar nesse dia, e saber qual a hora que começavam a amassar, porque como o forno levava muito pão, combinavam para na mesma altura que cozia o pão da padeira cozia também o das outras pessoas, que umas pagavam em pão e outras a dinheiro.

Em primeiro lugar ia comprar a farinha a fabrica trazia um saco com cinco arrobas (15X5=75 kg) assim que chegava a casa começava por peneirar a farinha com uma peneira mais rala para em seguida ser peneirada de segunda vez para  tirar o rolão.

Seguidamente fazia o fermento que era um bocado de massa que se deixava do outro dia para dar levedura ao pão, o fermento não dava muito trabalho a fazer e havia um ditado que se dizia.

“ Fermento bem amassado e homem bem estimado é tempo que leva o diabo”.

Na manha do dia seguinte começava a amassar. A primeira coisa que se fazia era fazer o sinal da cruz e dizer DEUS TE ACRESCENTE PARA ALIMENTO DE MUITA GENTE. Em seguida fazia uma presa onde se punha, o sal, a agua e o fermento e daí começava-se a amassar que levava mais ou menos meia hora quando se acabava de amassar fazia  em cima do pão uma cruz, onde   dizia estas palavras DEUS TE ACRESCENTE MASSA COMO NOSSA SENHORA CAIU EM GRAÇA, esta cruz também tinha como finalidade ver se a massa estava bem levedada.

Quanto às outras pessoas que queriam cozerem o pão nesse dia. Combinavam a hora de amassar e a seguir eram as pessoas que vinham dizer que o pão já estava levedado, para saberem se já podiam tender e antes de tender, davam uma voltinha ao pão para que levedasse mais depressa daí se dizer.

“Amassar e a tender e a dar volta ao pão, vamos dar mais uma voltinha que ainda não está bom “

Quando a farinha era de trigo novo havia quem lhe pusesse um pouquinho de água do medronho punham os medronhos em água e em seguida punha a água na farinha.

Cada arroba de farinha dava aproximadamente doze, treze pães que eram vendidos a 3$00 cada um, tinha muita saída para o Algarve.

Por norma acendia o forno antes de começar a tender com boas estevas que o forneiro já tinha ido buscar na madrugada, lenha que muitas vezes era roubada aos senhores que tinham muito terreno, e embora as terras muitas vezes tivessem muito mato nem sempre autorizavam a que fossem buscar a lenha, daí a terem muitas vezes que a ir roubar de noite.

Havia muitas pessoas que amassavam, mas não iam levar o pão ao forno, tinha que o ir buscar a casa das pessoas e depois de cozido ir leva-lo, chegava a ir levar a umas dez casas por dia.

Como na mesma fornada era cozido o pão de umas poucas pessoas, para que o pão fosse conhecido faziam um sinal a entrada para o forno, uns fazia-se belisco outras vezes dois, outras vezes com um pau de esteva bem limpo faziam um ou dois buracos conforme os sinais que fossem necessários. Diz-nos a Leonilde que depressa aprendeu a levantar o pão e a saber quando o forno estava em condições de se deitar o pão. Foram muitos anos como padeira daí a ser conhecida nessa altura pela Leonilde do

 forno muito conhecida em Almodôvar.

Quem não se lembra do pão da Leonilde tão apetitoso mesmo que fosse com oito dias de cozido, agora se não for pão do mesmo dia, já ninguém quer o pão.

Depois do forno passou a trabalhar na a escola secundária de Almodôvar.

Quem passou pela escola nos últimos trinta anos que não se lembra da Senhora Leonilde ?????

PARA RELEMBRAR
Documento enviado pela ‏Ana Barão

MEU ALENTEJO:
publicado por silvia às 14:21

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