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MEU ALENTEJO

ESTE BLOG E DEDICADO AO ALENTEJO E A MINHA TERRA QUE SE CHAMA "ALMODÔVAR"

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MEU ALENTEJO

13
Mar10

Florbela Espanca

silvia
Nome: Florbela Espanca
Naturalidade:
Nasceu em Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894.
Filha ilegítima de uma "criada de servir" que faleceu muito nova. Apesar de ter sido registada como filha de pai incógnito, foi educada pelo pai e pela madrasta, em Vila Viçosa.
Estudou em Évora e mais tarde foi estudar para Lisboa, frequentando a Faculdade de Direito.
Através da sua poesia cultivou exasperadamente a paixão, no feminino como que a precipitar a emancipação literária da mulher.
Tornar-se-ia imortal através de uma poesia de desencantamento angústia e de solidão. O Alentejo e a paisagem alentejana estão, também, presentes em imagens e poemas.
 
Poesia
 
 
Árvores do Alentejo
 
 
 
Horas mortas... curvadas aos pés do Monte
A planície é um brasido... e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!
 
 
 
 
E quando, manhã alta, o sol postonte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!Árvores!
 
 
 
 
Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
 
 
 
Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
-Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!
 
 
Ser poeta 
 
 

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


Sonhos
 
 
 
 
Ter um sonho, um sonho lindo,
Noite branda de luar,
Que se sonhasse a sorrir...
Que se sonhasse a chorar...
 
 
 
Ter um sonho, que nos fosse
A vida, a luz, o alento,
Que a sonhar beijasse doce
A nossa boca... um lamento...
 
 
 
Ser pra nós o guia, o norte,
Na vida o único trilho;
E depois ver vir a morte
 
 
 
Despedaçar esses laços!
......É pior que ter um filho
Que nos morresse nos braços!
 
 
 
 
 
Se tu viesses ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
 
 
 
 
Florbela Espanca

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