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MEU ALENTEJO

ESTE BLOG E DEDICADO AO ALENTEJO E A MINHA TERRA QUE SE CHAMA "ALMODÔVAR"

ESTE BLOG E DEDICADO AO ALENTEJO E A MINHA TERRA QUE SE CHAMA "ALMODÔVAR"

MEU ALENTEJO

28
Fev09

A origem de Almodôvar

silvia

A origem de Almodôvar diluí-se na luminosidade dos campos alentejanos. Entre histórias e lendas é difícil atribuir à vila, com precisão, uma origem, uma cultura e uma época. Na realidade, foram vários os povos que passaram pela Península Ibérica e marcaram, com o peso da sua cultura, as terras alentejanas. Almodôvar, no entanto, aparece pela primeira vez assinalada nos mapas do tempo dos Árabes ou Muçulmanos, com o nome de Al-Mudura. Almodôvar é a corrupção da palavra árabe Al-Mudura que significa "a coisa em redondo, ou cercada em redondo". E, de facto, Almodôvar foi reedificada pelos árabes no século VII, altura em que a vila foi cercada de muralhas e edificado um castelo, cujos vestígios, no entanto, desapareceram. Almodôvar pertenceu ao mestrado de Santiago a quem concedeu Foral EL-Rei D. Dinis em 17 de Abril de 1285, o que demonstra ser esta vila, já nessa época um centro importante.
Concedia-lhe D. Dinis, nessa Carta de Foral grandes poderes entre os quais "o de o povo não pagar portagem em parte nenhuma" nem "os gados da vila e seu termo pagarem montas" como consta do Livro de Regimento de Verdes e Montados.
Mais tarde, D. Manuel I, em 1 de Junho de 1512 deu novo Foral à vila, confirmando e ampliando os privilégios concedidos por D. Dinis. Este novo Foral concedia muito mais regalias, insenções e de prerrogativas mais latas.
A igreja matriz é o mais imponente monumento da Vila de Almodôvar, na simplicidade das suas colunas toscanas, na riqueza dos altares laterais e na sumptuosidade do altar-mor, mandado construir por D. João V.
Mas para Almodôvar, há um acontecimento de grande valia e objecto de grande estima e orgulho: trata-se da existência aqui da primeira espécie de uma Universidade de Teologia do Sul de Portugal, que funcionou no Convento de S. Francisco. Parte da Biblioteca desta Universidade encontra-se hoje na Câmara Municipal.
O Convento referido que ainda hoje existe foi fundado em 1680 por Frei José Evangelista, lente jubilado da Universidade com os bens que herdou dos seus pais. Lançou a primeira pedra a 2 de Setembro de 1680.
Apesar da riqueza histórica do Concelho de Almodôvar, é pelo afecto que se aprofundam e interiorizam todas as presenças do passado, longe dos estereótipos do mundo moderno. Almodôvar continua fiel às suas origens, às suas tradições, à sua história.

28
Fev09

Anedotas Alentejanas

silvia

Estavam dois alentejanos debaixo de uma azinheira. Um deles trazia um porco ao colo e andava a dar-lhe bolota. Passam dois senhores e veêm aquele quadro e dizem para o Alentejano:
- Então não era melhor derrubar a bolota e o porco comia no chão?
Nisto vira-se o Alentejano para o outro e diz-lhe:
- Ó compadre devem ser engenheiros!!!



28
Fev09

A Lenda da Costureirinha

silvia

Entre as crenças que algum dia existiram no Baixo Alentejo, a da costureirinha era uma das mais conhecidas. Não é difícil, ainda hoje, encontrar pessoas de alguma idade, e não tanta como isso... que ouviram a costureirinha.
O que se ouvia, então? Segundo diversos testemunhos, ouvia-se distintamente o som de uma máquina de costura, das antigas, de pedal, assim como o cortar de uma linha e até mesmo, segundo alguns relatos, o som de uma tesoura a ser pousada. Um trabalho de costura, portanto.

O som trepidante da máquina podia provir de qualquer parte da casa: cozinha, quarto de dormir, a casa de fora, e até mesmo de alpendres. De tal modo era familiar a sua presença nos lares alentejanos que não infundia medo. Era a costureirinha.

Mas quem era ela? Afirma a tradição que se tratava de uma costureira que, em vida, costumava trabalhar ao domingo, não respeitando, portanto, o dia sagrado. É esta a versão mais conhecida no Alentejo. Outra versão afirma que a costureirinha não cumprira uma promessa feita a S. Francisco. Esta última versão aparece referenciada num exemplar do Diário de Notícias do ano 1914 em notícia oriunda de aldeias do Ribatejo. Pelo não cumprimento dos seus deveres religiosos, a costureirinha fora condenada, após a morte, a errar pelo mundo dos vivos durante algum tempo, para se redimir.

No fundo, a costureirinha é uma alma penada que expia os seus pecados, de acordo com a crença que os pecados do mundo, o desrespeito pelas coisas sagradas e, nomeadamente, o não cumprimento de promessas feitas a Deus ou aos Santos podiam levar à errância, depois da morte.
Já não se houve, agora, a costureirinha? Terminou já o seu fado, expiou o castigo e descansa em paz? A urbanização moderna, a luz eléctrica, os serões da TV, afastaram-na do nosso convívio. Desapareceu, naturalmente, com a transformação de uma sociedade rural arcaica, que tinha os seus medo, os seus mitos, as suas crenças e o seu modo de ser e de estar na vida.


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