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MEU ALENTEJO

ESTE BLOG E DEDICADO AO ALENTEJO E A MINHA TERRA QUE SE CHAMA "ALMODÔVAR"

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MEU ALENTEJO

24
Fev11

Alentejo não tem fim

silvia
Alentejo não tem fim
Planicie tão distante
Alentejo està dentro de mim
Sem ele sou alma penante

O meu olhar nele se perde
Mesmo sem o estar a ver
Meu coração sempre pede
Pra eu nele me perder

Saudades vou matando
Como posso é meu desejo
Por ele fico chorando
Quando quero e nâo o vejo
 
Manuela Medeiros

22
Fev11

Mulher Alentejana

silvia

 

Xaile preto, roupa preta,

Lenço preto na cabeça,

A vida está à espreita

Sem que viver lhe apeteça.

 

Sua vida é uma solidão,

Não vê razões para a vida,

Destruiram-lhe o coração

E sua vida ficou destruida.

 

O negro não mais vai tirar,

Assim mostra a sua dor,

Mas não pensem vê-la chorar.

 

É uma luta sobrehumana,

Feita de carinho e amor,

É assim a viúva Alentejana.

 

Francis Raposo Ferreira

20
Fev11

História de um Alentejo

silvia

 História de um Alentejo

 

"Na época pré-romana vivia, nestas terras transtaganas, um povo celta - os celtici -, que tinha à sua livre disposição e vontade todos os produtos de uma natureza com acento mediterrânico. Como dizia Orlando Ribeiro, de uma forma sintética e esclarecedora "...o Alentejo é mediterrânico por natureza e atlântico por posição...." Esse povo vivia e alimentava-se da celebrada trilogia do Mediterrâneo: trigo, azeite e vinho. Eu acrescentaria o porco." (...)

 

"As datações e as análises feitas, em diferentes estações arqueológicas, a restos de comida e a diferente utensilagem, permitem concluir que as gentes dessa época sabiam preparar carnes e peixes e que conheciam a técnica da transformação dos grãos de cereais em farinha. O mel, que nas serras de Ossa, de Portel e Serpa era abundante e o leite de cabra e ovelha, com o qual fabricavam queijo, completavam, com o recurso intensivo à caça, a dieta alimentar desses nossos antepassados. Tudo amparado pelas duas gorduras assistenciais que se mantiveram até hoje: a banha de porco e o azeite.

 

O Alentejo, onde existe a maior concentração de necrópoles dolménicas, o que evidencia a existência de uma pujante civilização megalítica, tem comido, através dos séculos, os mesmos produtos que os engenheiros construtores de antas, alguns confeccionados ainda da mesma forma. Dos restos encontrados em alguns dólmens e analisados com a ajuda das nossas tecnologias de datações, conclui-se que o queijo, por exemplo, era fabricado da mesma maneira e com o mesmo coalho - o cardo - que hoje se utiliza. O porco era comido preferencialmente assado nas brasas, com sal e alho, ou com a ajuda de uma raiz da mesma família. Espinhas de peixe, do rio e do mar, elucidam sobre um trânsito entre o litoral e o interior. A presença de vários bivalves, amêijoas e outros parentes próximos, pode deixar estupefactos aqueles que se atormentam em encontrar razões para a receita de carne de porco com amêijoas. E o pão, feito de trigo, com uma farinha grosseiramente peneirada, cheia de farelo, não diferia muito do pão de trigo, chamado escuro ou de segunda, que ainda há poucos anos era consumido em todas as terras do Alentejo. Foi numa anta do concelho de Reguengos de Monsaraz que se recolheram restos de comida juntamente com restos de menta pulegium, mais prosaicamente, poejos, velha erva companheira de açordas e outros cozinhados que nos assiste há mais de três milénios.

 

(...)

Algumas espécies vegetais, principalmente ervas aromáticas como a segurelha e a sálvia, trazidas pelos gregos, entraram de imediato nos hábitos alimentares.(...)

 

Com eles [Romanos] viajaram os usos e costumes característicos da sua dieta alimentar que influenciou a forma de comer das gentes desta parte da Ibéria, recebendo, em troca, ensinamentos de práticas da cozinha indígena, que modificaram alguns dos seus hábitos de confecção porque, como dizia Estrabão, este sul do Tejo era o "paraíso das ervas frescas". Os romanos furiosos por peixe, enraizaram o costume do seu consumo na alimentação desta terra alentejana. (...) Já na era cristã, o tempo de quaresma e outras festas de carácter litúrgico, somavam 166 dias de abstinência, quer dizer, quase meio ano sem comer carne. (...)

 

Com a chegada dos árabes verificaram-se algumas altearações nos costumes alimentares. (...) a religião muçulmana, que condenava o porco como uma das carnes interditas, animal impuro e símbolo de luxúria, obrigou a uma restrição no seu consumo. Digo restrição porque o espírito aberto e inteligente dos muçulmanos não chegou a decidir a proibição absoluta. Só existiu nos lugares públicos de venda e foi objecto de sanções quando o seu consumo era descarado e ostensivamente ofensivo dos preceitos religiosos do ocupante. Não há notícia de abates generalizados de porcos ou de erradicações gerais. Continuou a haver matança em casa dos cristãos e o seu consumo, embora deminuído, continuou.  (...) Com eles [árabes] também se iniciou uma forma mais sofisticada de estar à mesa e de comer.

 

É pena que, por razões de fanatismo religioso, a civilização árabe na Península Ibérica, especialmente aqui em Portugal, não tenha a divulgação e o estudo que merece. Estigmatizados como infiéis, como gente inferior que era necessário matar, a sua brilhante cultura foi ocultada, subtraindo ao nosso conhecimento os esplendores desta civilização.

 

Os franceses arrogam-se a importância de terem tido o primeiro livre de cozinha, mas esquecem que no século VII, setecentos anos antes do seu Taillevent, já Ibn Razin tinha publicado o seu Fadâla al Jiwân, com centenas de receitas, devidamente narradas, com tempos exactos de confecção, com indicação das vasilhas a utilizar, os cuidados a ter com o lume, de lenha ou de carvão, conforme as receitas, a maneira de servir, etc. Conhecido é também o Kitâb-al-tabîj, de autor anónimo, com quinhentas receitas, contemplando tudo o que se comia nos séculos X e XI.

 

As grandes ajudas que a cozinha árabe trouxe à cozinha dos cristãos incidiram, principalmente, nas verduras e frutas, e a sua produção criou o conceito de horta, com a sua específica agricultura. É longa a lista que trouxeram e que fixaram em receitas: espinafres, alfaces, chicória, couves, rábanos, cenouras, nabos, etc. As árvores de fruto que chegaram foram a figueira, amendoeira, limoeiro, nespereira, nogueira, uma variedade de laranja azeda, pessegueiros, etc.

 

(...) No livro Kitâb-al-tabîj, traduzido e comentado por Huici de Miranda, vem mencionada uma receita de açorda. (...) A outra receita, a de ensopado, nem sequer vale a pena narrá-la porque é igual a todos os ensopados, os que não levam batatas, que se fazem em terras alentejanas."

 

20
Fev11

o alentejo é já ali.....

silvia

 

o alentejo é já ali..... 

Palavra mágica que começa no Além e termina no Tejo,o rio da portucalidade,o rio que divide e une Portugal.

O Alentejo molda o carácter de um homem .

A solidão e a quietude da planície dão-lhe a espiritualidade ,a tranquilidade e a paciência do monge.

As amplitudes térmicas e a agressividade da charneca ,dão-lhe resistência fisíca e rusticidade,a coragem e temperamento de guerreiro.

 

Não é Alentejano quem quer,ser alentejano não é um dote é um dom.

Não se nasce alentejano,é-se alentejano.

Portugal nasceu no Norte , mas foi no Alentejo que se fez homem.

Guimarães é o berço da nacionalidade ,Évora é o berço do Império Português.

Não foi por acaso que D.João II se teve de refugiar em Évora, par descobrir a Índia .

No meio das montanhas e serras um homem tem as vistas curtas ;só no coração do Alentejo um homem consegue ver ao longe.

Mas foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao Reino,depois de dobrar o cabo das Tormentas ,sem conseguir chegar á Índia,para D.João II perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar com o peso de um empreendimento de tal vulto.

Aquilo que para o homem comum fica longe ,para um alentejano é já ali, par um alentejano não há longe ,nem distância.

Porque só um alentejano percebe intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade,mas uma corrida de resistência.

Foi, por esta razão,que D.Manuel decidiu entregar a chefia da armada a Vasco da Gama.Mais de dois anos no mar ....E quando regressou ,ao perguntar- lhe se a Índia era longe ,Vasco da Gama respondeu: "Não é já ali".

O fim do mundo afinal ,ficava ao virar da esquina.

Para um alentejano ,o caminho faz-se caminhando,só é longe o sitio onde não se chega ,sem parar de andar.onde Bartolomeu Dias tinha parado.

O problema de Portugal ,é precisamente este muitos Bartolomeu Dias e poucos Vasco da Gama, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito ou seja muitos portugueses e poucos alentejanos.

D.Nuno Álvares Pereira ,aliás já tinha percebido isso.Caso contrário não teria partido tão confiante para Aljubarrota.D.Nuno sabia bem que uma batalha não se decide pela quantidade mas pela qualidade dos combatentes.

É certo que o Rei de Castela contava com um poderoso exercito composto de portugueses e espanhóis ,mas o Mestre da Avis tinha a vantagem de contar com meia dúzia de alentejanos.Não se estranhe a resposta de D.Nuno aos seus irmãos,quando o tentaram convencer a mudar de campo com o argumento da desproporção numérica

"vocês são muitos !o que é que isso interessa os alentejanos estão do nosso lado ?"

Soube hoje que há provas que também o Cristovão Colombo é Alentejano ..... isto é que uma rapaziada!

 

(Extractos do texto de Carlos Barreto)

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